October 10, 2011

Long time, no see



Olho ao redor e vejo o cor-de-rosa tomando lugares novamente pela campanha de conscientização do Câncer de Mama e me dou conta de que não volto a este espaço há um ano! “2011 foi um espirro” diria uma amiga muito querida. 2011 foi um lapso temporal que meses correram em frações de segundos, destruiram o Japão, mataram Steve Jobs e me fizeram casar. Sim, casei! E aquilo que, há um ano, não faria o menor sentido tem hoje um significado importante.

Sentido. Significado. Taí duas palavras que se confundem como sinônimos e, infelizmente, no inglês ainda compatilham o mesmo verbete: “to mean”. Causa grande confusão e enriquece muito terapeuta por aí.

O significado que um casamento teve em minha vida não dá o menor sentido a ela. Continuo tendo as mesmas neuras e os meus questionamentos desde os tempos em que me entendi como ser humano. Não consigo entender como uma união entre um homem e uma mulher pode ter tanto reflexo social. E o sonho megalomaníaco de vestir véu e grinalda, onde princesas frustradas adentram a igreja para receber as benções de quem nunca viu na vida? O mundo é mesmo estranho. Mas aí a história é outra... retomemos o foco!

Sentido. Significado. A união com um outro semelhante me deixou mais fraca e dependente. Talvez seja um “deixar-se levar” natural de quando um casal se une. É como se o outro fosse segurar as pontas na hora em que a bomba estourar. Diante dessa fraqueza, amigos, pensamos com mais frequência na morte.

Nossa cultura enxerga a morte como barata de bueiro. Desagradável ao olhos e ao coração, mas inevitável e resistente ao tempo. Mal sabemos que aceitá-la talvez seja o primeiro passo para a felicidade. Longe de qualquer academicismo filosófico, contarei como cheguei a tal conclusão.

Por incrível que pareça, estava assistindo a um programa que critico toda vez que a oportunidade aparece: o Globo Repórter. Surpresa maior foi a pauta não ser sobre animais ou dietas milagrosas, mas sobre experiências pós-morte. Vários entrevistados relataram sensações semelhantes, a luz, o túnel; mas um em especial me chamou a atenção. Minha memória de texugo não me permite lembrar o nome do sujeito, mas ele disse claramente que o estar morto trouxe uma sensação de paz e bem-estar que nenhum ser humano jamais terá a sorte de sentir em vida. E como aquele discurso me tocou!

Nem mesmo “Intermitências da Morte”, do mestre Saramago, me fez amar tanto esta distinta senhora. A morte não é somente necessária à renovação da vida, deve ser também a experiência mais louca, prazerosa, psicodélica e democrática que todo ser vivo terá! Minhas conexões neurais, que buscam referências de Biblioteca a conversas de boteco, concluíram que a tal iluminação dos budistas deve ser um fenômeno semelhante, uma quase-morte. E o assunto todo é tão louco que faz todo o sentido pra mim, mas talvez não tenha o menor significado pra você. Ou pior: o significado pra alguns é de que eu seja uma suicida em potencial. Pura balela!

Não pensem porém que sairei feliz e saltitante quando meus queridos se forem. Como um belo exemplar do signo de Peixes, chorarei baldes e darei muito trabalho aos que ficarem. Porque mesmo tendo dado sentido à morte, a dor que fica é causada pela perda. E só sentimos a perda porque somos egoístas. Pois se amássemos genuinamente nossos entes queridos, talvez sim o R.I.P. tivesse maior sentido que significado
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